Três da manhã! Já era a sétima vez que pegava no telemóvel e fixava o olhar nas horas, mas estas, não pareciam passar. Impressionante, pensei. A tua volta tinha-me perturbado.
Não sabia o que havia de pensar. Sempre foste previsível, mas esta eu não esperava. Cada vez mais a pergunta flutuava na minha cabeça, O que será que ele quer agora?
Eram 5 da tarde quando recebi a tua mensagem, não conseguia pensar em outra coisa "Precisamos de falar, é importante."
Havia meses que não tinha notícias tuas. Não havia assunto pendente, nem tão pouco conversa possível entre nós. Tínhamos virado desconhecidos. Ainda me perguntei se seria engano, conclui que não quando te fiz essa pergunta ao qual respondeste, "Não, não é engano. Precisamos de falar, amanhã às 3h encontra-me em frente ao Cliché". Cliché era o nome do café em que todas as tardes íamos lanchar, achei estranho, e mais uma vez o meu coração palpitou.
Onze da manhã! Finalmente já era dia. Levantei-me, tomei o meu leite com chocolate, duas bolachas e comecei a preparar-me. Vesti o meu melhor vestido, aquele que tu tanto gostavas, pus as minhas sandálias e o perfume Cacharel que tu me tinhas oferecido.
Olhei-me ao espelho e pensei, ele sente saudades minhas. Tinha esperança que sim, eu sabia que sim. Não havia outro motivo que nos levaria a voltar-mo-nos a ver.
Cheguei ao Cliché e sentei-me na esplanda. O sol perturbava-me, obrigando-me a dar uso aos óculos que trazia na mala. Esperei 10 minutos que me pareceram uma eternidade, e finalmente, chegaste.
Vinhas mais bonito do que nunca. Trazias a t-shirt azul que eu tão bem conhecia, o cabelo despenteado e os óculos de sol que te davam um ar ainda mais encantador.
Olhas-te para mim e sentaste-te. Pediste um café e voltaste a olhar.
- Então estás boa?
Estava entusiasmada, ainda assim, respondi calmamente.
- Sim, estou ótima. E tu?
- Sempre. Deves achar estranho ter-te chamado aqui.
- Sim..
O meu coração palpitava tanto que não consegui pronunciar mais nenhuma palavra. Olhas-te-me nos olhos e sorriste.
- Vou casar-me! Sei que tivemos uns problemas, mas sempre fomos amigos, queria por isso esclarecer o assunto e convidar-te para o casamento. É já daqui a 3 semanas!
O meu coração parou, dir-se-ia que tinha morrido se não sentisse o sangue a correr nas veias. Olhei para ele estupefata sem conseguir mexer qualquer parte do meu corpo. Tinha passado uma noite inteira a imaginar como seria bom voltar a ver-lo, como seria a nossa conversa, como seria o nosso beijo quando me dissesse que sentia saudades minhas!
- S, estás ouvir?
Na verdade, não. Não ouvia as suas palavras. Estava em choque!
- Sim...sim...sim, eu estou.
Abanei a cabeça e continuei.
- Casar.. sim, vais casar. Que bom!
- Sim, é a Lara. Conheci-a na minha viagem de negócios a Paris.
Paris, pensei eu. Sempre te pedi que me levasses lá. Mais uma vez, pensei nas ironias que me acompanhavam constantemente.
- Percebo.. fico feliz por ti. Mas sabes que mais? Não posso ir, vou tirar férias. Vou a Paris! Sempre sonhei em lá ir, como bem sabes, e ouvi dizer que lá se encontram grandes amores!
Peguei na minha mala e virei costas sem hesitar, sabia agora que estava na hora de seguir em frente. "Paris? E porquê não?"

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